Melhorou e depois voltou: por que o comportamento reaparece quando a rotina muda

Toda família que acompanha um tratamento já passou por isso. A criança vinha bem, os comportamentos difíceis tinham diminuído, e então veio uma mudança. Uma escola nova, a troca de terapeuta, uma reforma em casa, o fim das férias. De repente, aquilo que parecia superado reaparece, e a primeira reação costuma ser o medo de ter voltado à estaca zero.

Na análise do comportamento, esse fenômeno tem nome: renovação. Ele descreve a volta de um comportamento que já havia sido reduzido quando o contexto ao redor muda. É um processo conhecido e estudado, e entender como ele funciona muda a forma como a gente atravessa esses momentos.

Um estudo publicado no Journal of Applied Behavior Analysis trouxe dados de 98 crianças e adolescentes em tratamento intensivo, analisando 749 situações de mudança de contexto. Dois achados importam para as famílias. O primeiro é que, quando o comportamento voltava, ele voltava rápido, muitas vezes logo na primeira sessão após a mudança. O segundo é mais tranquilizador: na maioria das vezes, essa volta durou pouco, e cerca de metade dos casos se resolveu em uma única sessão. Numa parcela menor, os comportamentos persistiram por mais tempo, e quanto mais intensa a volta, mais tempo ela tendia a durar.

A leitura clínica disso é direta. A reaparição de um comportamento diante de uma mudança não significa que o tratamento fracassou. Ela faz parte de como o aprendizado se organiza, e costuma ser passageira. O que faz diferença é o que a família e a equipe fazem nesse período. Momentos de transição pedem consistência nas estratégias que já vinham funcionando e um acompanhamento mais próximo, em vez de um recuo.

No dia a dia do consultório, a gente prepara as famílias para isso antes das transições previsíveis, como a mudança de ano escolar. Saber que uma volta pode acontecer, e que ela tende a passar, tira o peso da culpa e ajuda todo mundo a seguir firme.

Se o seu filho está diante de uma mudança de escola, de rotina ou de equipe, e você quer entender como sustentar os avanços nesse período, a equipe do consultório pode ajudar.

Referência: O’Brien MJ e colaboradores. Latency and persistence of renewal in an intensive outpatient clinic. Journal of Applied Behavior Analysis. doi.org/10.1002/jaba.70071